Magistrados querem um PGR da casa

procuradoria geral republicaComeçou a corrida à sucessão de Pinto Monteiro. Saiba quem pode vir a dirigir a Procuradoria Geral da República.

É o assunto do momento no Ministério Público. Quem vai ser o próximo procurador-geral da República? Apesar de ainda faltarem oito meses para completar o mandato, que deverá cumprir apesar de fazer 70 anos em Abril, Pinto Monteiro já faz parte do passado, e os magistrados, que dentro de dez dias se reúnem em congresso, já discutem o perfil do próximo ‘chefe' do Ministério Público.

O Sindicato dos Magistrados já assumiu publicamente a preferência por um ‘homem da casa', depois da má experiência com Pinto Monteiro, juiz de carreira, e essa é também a opinião da maioria dos procuradores ouvidos pelo CM.

"Tem de ser alguém que conheça efectivamente o Ministério Público, e não alguém que tenha apenas uma ideia, e com conhecimentos sólidos de processo penal", afirmou um magistrado ao CM, assumindo que antes de Pinto Monteiro nem via com "maus olhos" que fosse um juiz a chefiar o Ministério Público.

Agastado com os vários processos que envolveram José Sócrates, como o Freeport ou a Independente, foi, porém, a ‘Face Oculta' que mais marcas deixou em Pinto Monteiro, quando recusou investigar os indícios do crime de atentado contra o Estado de Direito. "Aí é que ele se estampou", afirmou outro magistrado ao CM. Com Pinto Monteiro de saída, são já vários os nomes falados como potenciais candidatos ao seu lugar, embora a proposta caiba ao Governo. Dentro do Ministério Público, Euclides Dâmaso e António Cluny são os nomes mais falados. Entre os conselheiros, fala-se novamente de Henriques Gaspar e Santos Cabral, embora o primeiro seja o mais consensual. É descrito como um "jurista brilhante", com um perfil discreto, e fez toda a carreira no Ministério Público. Há quem diga também que uma "grande escolha" seria Laborinho Lúcio.

OS NOMES MAIS FALADOS

Euclides Dâmaso, Procurador Distrital de Coimbra - ESPECIALISTA EM CRIME ECONÓMICO

Nascido a 23 de Outubro de 1954 em Celorico da Beira, Euclides José Dâmaso Simões é actualmente procurador distrital de Coimbra. Antes, foi director do DIAP da mesma cidade, entre 1999 e 2011, e passou pela Polícia Judiciária, de 1989 a 1999, tendo dirigido o Departamento do Centro. É um dos magistrados que mais sabem de processo penal e combate ao crime económico.

António Cluny, Procurador-geral adjunto - UM DOS ROSTOS DO SINDICALISMO

António Francisco de Araújo Lima Cluny, nascido a 6 de Junho de 1955 no Porto, é procurador--geral adjunto e está no Tribunal de Contas desde 1998. Foi presidente do Sindicato durante vários anos e actualmente preside à Associação Europeia de Magistrados - MEDEL. É um magistrado respeitado, mas não há tradição de ser nomeado um PGR com tão grande ligação ao sindicalismo.

Henriques Gaspar, Vice-presidente do Supremo - NOME REPETIDO E CONSENSUAL

É juiz-conselheiro do Supremo desde 2003 e vice-presidente desde 2006. Nasceu em Pampilhosa da Serra a 6 de Setembro de 1949 e fez praticamente toda a carreira no Ministério Público. O seu nome já esteve em cima da mesa em 2006 e reúne consenso. Contra si tem agora o facto de ter tido intervenção no despacho que mandou destruir as escutas do processo ‘Face Oculta'.

Santos Cabral, Juiz/conselheiro - CONSELHEIRO DIRIGIU JUDICIÁRIA

Conselheiro no Supremo desde 2006, nasceu a 5 de Maio de 1950 na Lourinhã. Com 38 anos de carreira, foi director da Polícia Judiciária entre 2004 e 2006. José António Henriques Santos Cabral, de 54 anos, foi delegado do Ministério Público, mas optou depois pela carreira de magistrado judicial. Está também bem colocado para se candidatar a presidente do Supremo.

in Correio da Manhã

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